* Dicas sobre o comportamento dos gatos
* Manual dos gatos
* Um gato, por Danuza Leão
* Lição dos direitos dos gatos (para humanos)
* Como fazer um gato engolir um comprimido
DICAS SOBRE O COMPORTAMENTO DOS GATOS
- Quando trouxer seu gatinho para casa, não esqueça: é um novo ambiente, novas pessoas, tudo novo. Ele precisa, tanto ou mais que o cão, de sossego para adaptar-se. É melhor mantê-lo em um quarto até que se acostume, e só então abra a porta e deixe que conheça o resto da casa. Só depois de alguns dias, quando o seu gato estiver acostumado ao ambiente de sua casa e ter sua alimentação já regularizada é que você deverá permitir que ele explore o lado de fora, que tenha aventuras no quintal.
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Pense bem antes de decidir se o seu gato terá permissão para sair de casa. Aventuras na rua e nos quintais dos vizinhos podem ser bem interessantes e divertidas, mas ele correrá riscos de atropelamentos, doenças, procriação indesejada e agressões por parte de outros animais ou de seres humanos. E não esqueça, depois de sair para a rua e conhecer a liberdade, será muito difícil tentar prendê-lo.
- Se o seu objetivo não é fazer uma criação de gatos de raça para venda, castre seu animalzinho o mais cedo possível. As fêmeas entram no cio muito precocemente e podem dar até três ninhadas por ano. Se o seu gatinho for macho, castre-o também. Isso evitará que saia atrás de gatas e termine ferido ou morto em disputas com outros machos. Todo gato, macho ou fêmea, castrado, torna-se mais caseiro, e com isso, certamente, suas preocupações com relação a ele serão menores. A esterilização evita, também, um grave problema social: a superpopulação de animais de rua. Colabore. Consulte seu veterinário. Ele vai lhe orientar e você perceberá que a castração não configura nenhum ato de violência ou brutalidade contra seu animalzinho, pelo contrário, significa segurança e saúde.
- Se morar em apartamento, muito cuidado com janelas. Mantenha telas nas janelas para evitar que ele pule. Muitas vezes os gatos conhecem o limite mas, se um pássaro, borboleta ou inseto passar por ele, ele não hesitará em pular, e isso poderá causar sérios ferimentos, ou sua morte (dependendo da altura do prédio).
- O gato, normalmente, leva uma vida dupla. Em casa é um exuberante gatinho que contempla seus donos humanos. Na rua, é um perfeito adulto, dono de si próprio, auto-suficiente e em constante alerta.
- Quando o gato sobe no seu colo e começa a pressionar com uma pata e depois com a outra, num rítmico amassar, ele está reproduzindo os movimentos que fazia no ventre de sua mãe, na hora da amamentação. Do ponto de vista do gato, esse é um momento de ternura. Por isso ficam confusos e desapontados quando o dono, irritado, o enxota do colo.
- Sabe por que eles raspam a cadeira favorita do dono? Primeiro, para retirar a gasta camada de proteção das unhas, segundo, para exercitar e reforçar o mecanismo de expelir e contrair as unhas e, também, para colocar sua "marca de cheiro" , pois eles têm glândulas na parte inferior de suas patas dianteiras.
- Nunca fique horrorizado, nem chocado, quando seu gatinho lhe trouxer de presente um rato moribundo. O gato fica confuso pois o considera um membro da família que não sabe caçar. Na verdade ele o está homenageando. Aceite a presa com cumprimentos e carícias e desembarace-se dela calmamente.
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MANUAL DOS GATOS
· Faça do mundo o seu playground.
· Sempre que não der tempo de ir até a caixa sanitária, cubra com qualquer coisa! Meias resolvem satisfatoriamente.
· Quando estiver com fome mie bem alto! Eles o alimentarão apenas para fazê-lo ficar quieto.
· Sempre encontre algum raio de sol e cochile nele.
· Cochile sempre
· Quando estiver encrencado, apenas ronrone e faça cara de "lindinho".
· A vida é muito difícil, então cochile.
· A curiosidade nunca matou nada, a não ser umas poucas horas.
· Quando na dúvida, finja saber o que está fazendo.
· O tempero da vida é variar. Um dia, ignore as pessoas, no outro as chateie.
· Suba na vida, é para isso que as cortinas servem.
· Deixe sua marca no mundo, ou ao menos borrife em cada canto.
· Seja sempre generoso, um passarinho ou camundongo deixado na cama diz a eles "eu me importo".
(desconhecemos o autor)
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UM GATO
por DANUZA LEÃO
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De uns 30 dias para cá, entrei num novo universo: o dos adoradores de gatos.
Foi assim: resolvi ter um e procurei saber com um amigo quando haveria uma feira para comprar um lindo filhote etc. e tal. Ele foi logo me dizendo que nada disso, que o melhor gato é o vira-lata, e me deu o telefone de outro amigo, que me deu o telefone de outro amigo, e assim sucessivamente; aí conheci (só por telefone) um grupo de pessoas simpáticas e prestativas, sempre prontas a ajudar com um conselho, uma informação, uma explicação psicológica sobre o comportamento dos gatos, e com as quais me comunico com freqüência.
Aprendi que gatos não se compram, se adotam, e são os membros dessa confraria informal que fazem a intermediação entre quem está querendo um e quem está com uma ninhada em casa. E tem mais: como existem lugares na cidade onde os sem nenhum coração abandonam os filhotes, eles costumam ir a esses lugares para recolhê-los e encaminhar para a adoção. A pessoa que me confiou o meu tem 36 em seu apartamento.
Antes de Haroldo -é o nome dele- chegar, fui a uma loja especializada comprar um pequeno enxoval, digamos assim, para recebê-lo. Cheguei em casa com um tipo de banheirinho, areia, caminha, ração para filhote, patê em lata, vasilhas para comida e bebida e brinquedinhos. Embatuquei quando o vendedor me perguntou de que sabor queria a ração: de peru, de galinha, de peixe? Nacional ou importada? E como escolher, sem conhecer seu paladar?
Quando Haroldo chegou, minha vida mudou. Ele não me larga um só minuto, e tirando a hora em que se instala no teclado do computador ou se coloca exatamente entre meus olhos e o jornal ou a televisão, é uma delícia que nem dá para contar. Tão grande que nos primeiros dias eu não conseguia sair de casa para não deixá-lo sozinho. Resultado: agora tenho também uma gatinha (ainda sem nome) no pedaço, para que ele não se sinta muito só na minha ausência. E o pior: estou ficando gagá, e quando saio fico querendo voltar logo para casa, tantas as saudades.
Eles retribuem e me amam de paixão, uma paixão total e incondicional. Os dois são pequenos, me seguem pela casa onde eu for, se enrolam no meu pescoço para dormir -ainda bem que não estamos no verão-, e quando o veterinário disse que seria aconselhável a castração e a esterilização, quase chorei, e telefonei para meus novos amigos para ter uma orientação sobre o assunto.
Sabe o que me disseram, to-dos? Que é preciso castrar e esterilizar, sim. Mas por que, perguntei, vocês que gostam tanto de gatos, não têm pena?
Exatamente por isso, foi a resposta. Se não for feito um tipo de planejamento familiar, os gatinhos que nascerem serão abandonados nos parques da cidade e vão morrer de frio e de fome. É por amor, por muito amor -e consciência- que é preferível que nasçam menos gatos, já que não existem lares suficientes para adotá-los.
Foi impossível não fazer um paralelo com a infinidade de crianças abandonadas nos sinais de trânsito e nas Febens da vida, sem ter quem cuide delas e a cada ano nascendo mais e mais, algumas de mães de 13, 15 anos, sobretudo no Nordeste, terra do presidente Lula, que conhece o problema melhor do que qualquer um de nós.
Conhece, mas não fala no assunto; nem ele nem uma só pessoa do governo. Por que será?
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LIÇÃO DOS DIREITOS DOS GATOS
(para humanos)
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§ Levante seus pés ao entrar num aposento. Rabo pisado dói pra caramba.
§ Não tente dormir no meio da cama. Fique com a sua beirada.
§ Não monopolize o travesseiro. Divida-o conosco enquanto a gente não rouba ele de vez.
§ Avise-nos antes de fazer a cama, para termos tempo de sair debaixo das cobertas.
§ Não nos enrole nos cobertores e role de rir... isso cansa a beleza de qualquer um.
§ Não se levante da mesa e deixe um prato de galinha sozinho... você é muito bobo se pensa que ela vai ficar muito tempo ali. E não corra atrás de nós berrando "SEU BANDIDO !!!"... *você* é que pôs a tentação no nosso caminho.
§ Limpe os lugares ensolarados primeiro. Como é que você quer que a gente durma lá?
§ Ofereça seu leite para nós... ou ele vai acabar no seu colo.
§ Não fique de pé para comer. Muitos de nós não conseguem pular essa altura.
§ O gatinho velho tem direito à primeira lambida na tigela de sorvete... e não o filhotinho bonitinho que chegou ontem.
§ Não brinque mais com um de nós do que com os outros... ou suas pernas vão acabar cheias de listras vermelhas.
§ Fale conosco como adultos... não somos bebês, somos gatos, e pelo amor de Deus, fale naturalmente e não como o Mickey Mouse no cio!
§ Entenda que escolhemos você porque sabíamos que você iria nos alimentar e amar...
§ Por favor, leia o contrato de novo, especialmente aquela parte a respeito de bife e atum... alguns de vocês não estão cumprindo a sua parte.
§ Não esvazie o cesto de roupa limpa com a gente dentro... sonecas são sagradas... especialmente na roupa limpa. E você sempre pode lavá-la de novo.
§ Não nos tire de nossos esconderijos para nos apresentar a seus amigos. Se nós quiséssemos conhecê-los não estaríamos escondidos, certo?
§ Tenha certeza que quando formos convidados a conhecer seus amigos nós vamos dar nossa opinião *sincera* sobre eles. Não fique vermelho e se desculpando. Você começou.
§ Merecemos uma recompensa por nos comportarmos bem até todo mundo ter ido para casa.
§ Nos inclua na pizza com os amigos, ou nós vamos sentar na tampa das pizzas e você não vai comer nenhuma.
§ Não nos tranque num quarto, nós conseguimos arranhar a porta por mais tempo do que você consegue nos ignorar.
§ Não se esqueça de nos carregar para a cama. Para que andar se existe colo?
§ Não se esqueça que nós amamos você.
(desconhecemos o autor)
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COMO FAZER UM GATO ENGOLIR UM COMPRIMIDO
1. Pegue o gato e coloque-o em seu braço esquerdo como se estivesse segurando um bebe. Posicione o dedo indicador e o polegar da mão esquerda em cada canto da boca do gato. Pressione levemente para que ele abra a boca. Tão logo isto aconteça coloque o comprimido em sua boca. Permita que o gato feche a boca e engula a pílula.
2. Pegue a pílula do chão e o gato de trás do sofá. Encaixe-o no seu braço esquerdo e repita o processo.
3. Apanhe o gato no quarto e jogue fora o comprimido encharcado.
4. Pegue um novo comprimido, coloque o gato em seu braço esquerdo e segure as patas traseiras com a sua mão esquerda. Force-o a abrir a boca e empurre o comprimido até a garganta com o indicador. Feche a sua boca imediatamente e conte até 10 antes de soltá-lo.
5. Apanhe o comprimido de dentro do aquário e o gato de cima do guarda-roupa. Peça ajuda a um amigo.
6. Ajoelhe-se no chão com o gato preso firmemente entre os joelhos, segurando suas quatro patas. Ignore os grunhidos emitidos pelo gato. Peça ao amigo que segure com força a cabeça dele enquanto você abre a boca. Coloque uma espátula de madeira o mais fundo que puder. Deixe o comprimido escorregar pela espátula e esfregue a garganta vigorosamente.
7. Apanhe o gato que está grudado no trilho da cortina e pegue outro comprimido. Lembre-se de comprar uma nova espátula e remendar a cortina.
8. Cuidadosamente enrole o gato numa toalha de modo que apenas sua cabeça fique de fora. Peça para o amigo mantê-lo assim. Dissolva o comprimido em um pouco de água, abra a boca do gato com o auxílio de um lápis e despeje o líquido em sua boca. Veja na bula do remédio se ele é nocivo para seres humanos. Beba um pouco de água para se acalmar. Faça um curativo no braço do amigo e limpe o sangue do tapete com água morna e sabão.
9. Busque o gato no vizinho. Pegue um novo comprimido. Bote o gato dentro do armário da cozinha e feche a porta, mantendo a cabeça do gato para o lado de fora. Abra a boca com o auxílio de uma colher de sobremesa. Jogue o comprimido para dentro da boca com o auxílio de um estilingue.
10. Vá até a garagem e apanhe uma chave de fenda para colocar a porta do armário no lugar. Coloque uma compressa fria nos arranhões do seu rosto. Jogue a camiseta fora e apanhe outra em seu quarto.
11. Chame o corpo de bombeiros para apanhar o gato do alto da árvore do outro lado da rua. Peça desculpas ao vizinho que se machucou tentando desviar do gato. Pegue o último comprimido do frasco.
12. Amarre as patas dianteiras nas traseiras com uma corda do varal e prenda o gato no pé da mesa de jantar. Coloque luvas de jardinagem. Abra a boca do gato com uma pequena chave inglesa. Coloque o comprimido seguido de um pedaço de filé mignon. Segure a cabeça dele na vertical e derrame meio copo d'água para ajudá-lo a engolir o comprimido.
13. Peça ao seu amigo para levá-lo ao pronto socorro mais próximo.
Sente-se tranqüilamente enquanto o médico sutura seus dedos e braços e remove partes do comprimido que ficaram encravadas no seu olho direito. Pare na primeira loja de móveis no caminho de casa e encomende uma nova mesa de jantar .
14. Procure um veterinário que faça atendimento a domicílio.
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